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O declínio silencioso: a Síndrome DAEM e o envelhecimento masculino

Introdução

Quando falamos sobre alteracões hormonais relacionadas ao envelhecimento, é muito comum pensarmos na menopausa e em como a diminuicão dos hormônios femininos impacta a vida das mulheres. No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que os homens também passam por mudanças hormonais importantes ao longo da vida.
Esse processo é conhecido como andropausa ou, de forma mais correta, Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM). A condição acontece devido à redução gradual da produção de testosterona, o principal hormônio sexual masculino. Em média, os níveis de testosterona começam a diminuir cerca de 1,2% ao ano a partir dos 40 anos.
Embora essa queda hormonal seja natural do envelhecimento, em alguns homens ela pode causar sintomas que afetam diretamente a qualidade de vida, como:

 

  • cansaço excessivo;

  • perda de massa muscular;

  • diminuicão da libido;

  • ereções menos satisfatórias;

  • reducão das erecões matinais;

  • alterações de humor;

  • dificuldade de concentracão;

  • ganho de peso;

  • sensação de desânimo;

  • e fadiga.

 

Mesmo sendo relativamente comum, a DAEM ainda é pouco conhecida e cercada por tabus. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mais da metade dos homens sequer conhece a existência da síndrome. Por isso, informar e desmistificar o tema é fundamental para incentivar o diagnóstico precoce e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Como funciona a produção de testosterona?

A producão de testosterona depende de um sistema chamado eixo Hipotálamo-Hipófise-Testículo (HHT), responsável por regular os hormônios sexuais masculinos. Esse processo começa no cérebro, mais especificamente no hipotálamo, que libera um hormônio chamado GnRH. Esse hormônio estimula a adeno-hipófise, outra estrutura cerebral, a produzir dois hormônios importantes: LH (Hormônio Luteinizante)FSH (Hormônio Folículo-Estimulante). Ambos agem diretamente nos testículos. O LH estimula a célula de Leydig a produzir a testosterona. Já o FSH atua na célula de Sertoli, participando da producão dos espermatozoides.


Quando os níveis de testosterona estão adequados, o próprio organismo reduz a produção de GnRH, LH e FSH através de um mecanismo chamado feedback negativo, mantendo o equilíbrio hormonal. Na DAEM, esse sistema passa a funcionar de forma menos eficiente. Com o envelhecimento, as células dos testículos respondem menos ao estímulo hormonal, diminuindo gradualmente a produção de testosterona.

O que acontece no corpo com diminuicão da testosterona?

A testosterona participa de diversos processos do organismo além da funcão sexual. Por isso, sua reducão pode gerar diferentes impactos físicos e emocionais.

Principais consequências da baixa testosterona

Alterações sexuais: a queda hormonal pode causar diminuicão da libido,  disfunção erétil e reducão da fertilidade.

Perda de massa muscular e força: A testosterona ajuda na manutenção e construção muscular. Com sua diminuição, ocorre perda de força e maior dificuldade em ganhar massa muscular.


Reducão da densidade óssea: hormônio também participa da saúde óssea. Níveis baixos podem favorecer a osteopenia e a osteoporose, aumentando o risco de fraturas.

Alterações emocionais: A testosterona influencia regiões cerebrais relacionadas ao humor e à motivação. Por isso, a DAEM pode estar associada a: irritabilidade, apatia, desânimo, fadiga mental e dificuldade de concentracão.

Ondas de calor: Embora mais associadas à menopausa, ondas de calor também podem ocorrer em homens com baixa testosterona.


Alterações metabólicas: A deficiência hormonal pode favorecer: aumento da gordura corporal, resistência à insulina, maior risco de diabetes tipo 2, aumento do risco cardiovascular.


Além dos sintomas físicos, muitos homens também sofrem impactos na autoestima e na saúde emocional.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da DAEM deve ser feito por um médico, geralmente um urologista ou endocrinologista, através da avaliacão dos sintomas e de exames laboratoriais que medem os níveis de testosterona no sangue.

A reposição hormonal costuma ser considerada quando os níveis de testosterona estão baixos e os sintomas estão presentes. No entanto, o tratamento deve ser feito com muito cuidado e acompanhamento médico, pois existem contraindicações importantes, como:

  • câncer de próstata;

  • apneia do sono não tratada; 

  • policitemia;

  • algumas doenças cardiovasculares.
     

Por isso, homens em terapia hormonal precisam realizar acompanhamento periódico para monitorar possíveis efeitos adversos e avaliar a eficácia do tratamento.

Muito além da testosterona: o papel do estilo de vida

Apesar da reposição hormonal ser uma opção em alguns casos, hábitos saudáveis contnuam sendo fundamentais no tratamento e na prevencão da DAEM. Entre as principais recomendações estão:

  • prática regular de exercícios físicos, especialmente musculação;

  • alimentacão equilibrada;

  • controle do estresse;

  • boa qualidade do sono;

  • reducão do consumo de álcool;

  • e tabaco.


Esses fatores ajudam não apenas na saúde hormonal, mas também no bem-estar ffsico emocional como um todo

Conclusão

Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) é uma síndrome que pode impactar significativamente a qualidade de vida dos homens. Seus efeitos vão além da funcão sexual. afetando músculos, ossos. metabolismo, humor e saúde cardiovascular.


Mesmo sendo relativamente comum, a síndrome ainda é pouco discutida e cercada por preconceitos. Por isso, falar sobre o tema é essencial para combater a desinformação e incentivar os homens a procurarem ajuda médica quando necessário.

Mais do que apenas tratar hormônios, cuidar da DAEM significa promover saúde, qualidade de vida e um envelhecimento mais saudável e consciente

DOCENTES RESPONSÁVEIS:

Rosiane Aparecida Miranda

Luana Lopes de Souza

Patrícia Lisboa (Revisora)

AUTORES:

Ana Luisa Cordeiro Salarini
Laura Barcelos Henrique

Lívia Serpa dos Anjos Cardoso

Thais Araújo Santana

Sara Pereira Elias Rosa

Turma de graduação Medicina 2030, Campus Cabo Frio

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