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Microbioma Intestinal:
O “Cérebro” do Sistema Digestório?

Sua história contada através da microbiota intestinal

Introdução

O Microbioma Intestinal, o “Cérebro” do Sistema Digestório, é um campo de estudo fundamental, tratando de um ecossistema complexo e vital que exerce influência sobre a saúde e o metabolismo, justificando sua designação como um centro regulador. O microbioma abrange o conjunto de micro-organismos (a microbiota, incluindo bactérias, fungos e vírus) e o vasto material genético que eles carregam, contribuindo para uma maior prevenção contra a colonização por patógenos. Esse microbioma do indivíduo é específico, equivalente a uma segunda "impressão digital".

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A relevância desse tema na atualidade é inegável, dada a crise global das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como o diabetes tipo 2, a hipertensão arterial e a obesidade. O intestino também se comunica intensamente com o cérebro, regulando o apetite e a saciedade, e o desequilíbrio microbiano está envolvido em mecanismos que podem influenciar o desenvolvimento até mesmo de depressão (por meio da ligação com o sistema nervoso central).​​

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A Formação da Microbiota: Da Gestação ao Desenvolvimento

A formação da microbiota se inicia desde a gestação, pois pesquisas recentes mostram que grávidas com disbiose aumentam o risco do bebê desenvolver obesidade, doenças metabólicas, além de afetar no neurodesenvolvimento. Com o nascimento, a colonização continua por meio do parto, em que os bebês nascidos de parto normal entram em contato com o microbioma vaginal materno em um ambiente mais ácido, o que aumenta a diversidade do microbioma do recém-nascido e reduz o risco de alergias, asma e doenças celíaca. Isso é diferente do parto cesárea, em que o microbioma está relacionado predominantemente a bactérias na pele, o que explica o atraso na colonização por bacteroides e a menor diversidade, apresentando maior risco às condições apresentadas.

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A colonização desse ecossistema começa desde o nascimento, sendo mais saudável pelo parto normal, aliado a uma amamentação com leite materno para conferir uma maior proteção, não só com anticorpos, mas também por meio da microbiota. Ao longo da vida, a composição da microbiota é dinamicamente modulada, e a seleção da microbiota continua depois do nascimento por fatores diversos.

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Após o nascimento, a microbiota continua a ser moldada pelo aleitamento, em que o leite materno é rico em microrganismos aeróbicos benéficos para a microbiota, sendo menos propício a alergias comparado à fórmula láctea, com o predomínio de microrganismos anaeróbicos e menos diverso para a microbiota. Com o desenvolvimento da criança durante toda a sua vida, a microbiota é afetada por diversos fatores como as escolhas que a mãe irá usar na introdução alimentar, o meio inserido sendo urbano ou rural, se há contato com animais de estimação, e o uso de antibióticos.

Alimentação Saudável x Dieta Ocidental

Nesse contexto, a alimentação saudável, principalmente o consumo de fibras, é crucial para a seleção de bactérias que melhoram a parede protetora do intestino, gerando diversos benefícios. Em contraste, a dieta ocidental, rica em carne vermelha, açúcar simples e lipídios, favorece a disbiose. Esse desequilíbrio contribui para a perda da integridade da parede intestinal e exacerba efeitos adversos como doenças inflamatórias intestinais. Você sabia que a microbiota do indivíduo impacta até nas gerações futuras?

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A principal preocupação é sobre a dieta ocidental hiperlipídica, rica em açúcar e com baixo consumo de fibras, a qual gera a menor produção de produtos imunorregulatórios, é o caso dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), os quais são metabólitos ativos com ação benéfica. Isso ocorre porque os carboidratos não digeríveis presente em fibras, que acessam o cólon para o consumo das bactérias que fermentam esses componentes, geram a redução do pH na região do lúmen importante para inibir a proliferação de microrganismos patogênicos, além de favorecer nutrição do enterócito e manutenção da integridade da barreira pela produção local de muco. Outro papel dos AGCC se refere ao aumento da saciedade e ao metabolismo energético, ao modular células enteroendócrinas, produzindo hormônios como GLP-1, com efeito incretina de inibição da ingestão alimentar. Esse hormônio atua por aferências vagais que controlam o sistema melanocortina no hipotálamo, ao estimular neurônios anorexígenos que promovem saciedade. Sobre o metabolismo energético, os AGCC podem agir diretamente no tecido adiposo branco, reduzindo a lipólise e aumentando secreção de leptina.

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Com o consumo de uma dieta hiperlipídica e pobre em fibras, há menos bactérias produtoras de AGCC e, invasão e proliferação de bactérias de características patogênicas que se aproveitam do aumento da permeabilidade da barreira intestinal. Essas bactérias produzem lipopolissacarídeos (LPS) que se destinam à circulação e causam efeitos maléficos, como inflamação e resistência insulínica, contribuindo, assim, para a disbiose.

Consequências da Disbiose para a Saúde

Assim, vale ressaltar que a disbiose se relaciona com a obesidade pelos mecanismos já abordados que envolvem a relação de saciedade. Sobre os mediadores inflamatórios gerados nesses casos, há a incidência de doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn. Esses desequilíbrios da microbiota também estão relacionados à hipertensão. Por fim, além de todas as relações que envolvem o eixo intestino-cérebro-microbiota, essas desregulações podem causar mudanças no humor, além de quadros depressivos.

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Uma disbiose pode aumentar o risco de tumores em um indivíduo. Essa relação se dá devido a diversos fatores, como micro-organismos que danificam o DNA, síntese de toxinas e inflamação sendo mecanismos-chave de carcinogênese mediados pela microbiota. Bactérias que não são comuns na microbiota intestinal, podem ativar vias de proliferação de tumores. Da mesma forma, foram encontradas em abundância as espécies pró-inflamatórias como Streptococcus e Veillonella em pacientes com câncer de pâncreas, por exemplo.

Tratamentos, Tecnologias e Preservação

Já os probióticos, são micro-organismos vivos que, quando administrados de maneira correta, fornecem benefícios à saúde do indivíduo através da redução do crescimento de patógenos e correção do desequilíbrio da microbiota. Por outro lado, prébióticos são componentes alimentares não digeríveis que estimulam seletivamente a proliferação ou atividade de populações de bactérias benéficas da microbiota, auxiliando no tratamento de pacientes com síndromes metabólicas, diminuindo a pressão sanguínea, triglicerídeos e colesterol LDL. No contexto da gravidez, a disbiose da mãe potencializa o risco de obesidade na criança, o que sugere que o controle da disbiose materna por meio do uso de pré e probióticos pode limitar o risco de obesidade no feto, considerando que estudos recentes mostraram que a suplementação prébiótica em animais diminuiu, com sucesso, o risco de obesidade na prole.

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Técnicas recentes como o transplante de fezes, que consiste na transferência de microrganismos encontrados nas fezes de um indivíduo saudável para o intestino de um paciente doente visa reequilibrar a microbiota intestinal do paciente. Sendo então uma alternativa promissora no tratamento de algumas enfermidades como a Doença de Crohn, Síndrome do Intestino Irritável e até mesmo obesidade.

Conclusão

Diante do exposto, percebe-se que o microbioma intestinal faz-se um importante constituinte do nosso organismo, sendo necessário preservá-lo e estudá-lo para o maior aproveitamento de seus benéficos.

Referências
  • BARRETT, K. E. Fisiologia gastrintestinal. [tradução: Patricia Lydie Josephine Voeux; revisão técnica: Elza Daniel de Mello]. – 2. ed. – Porto Alegre : AMGH, 2015.

  • MORAES, A. C .F. et al. Microbiota intestinal e risco cardiometabólico: mecanismos e modulação dietética. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, São Paulo, vol. 58, n.4, jan. 2014.

DOCENTES RESPONSÁVEIS:

Rosiane Aparecida Miranda

Luana Lopes de Souza

Patrícia Lisboa (Revisora)

AUTORES:

Diego da Silva Palencia

Julia da Costa Meirelles

Lais Iunes Liguori

Mariana Linard da Silva

Pedro Arthur Brito Bastos

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Turma de graduação Medicina 2030, Campus Cabo Frio

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